terça-feira, 14 de setembro de 2010

Alma dilacerada

Alma dilacerada
A grande faca que me sangra
Corta o meio seio, rasga  minhas entranhas.

Dilacerado és o meu ser
Um ato violento: um estupro.

Pedaços de mim ainda sangram
Há cicatrizes que não cicatrizam...
Com ferro fui ferida
E ferida que a ferro se faz
Para sempre estará viva.

A rosa viçosa

São tantas as dúvidas, os anseios, as angústias...
Em meio a tudo isso, desabrocha uma flor
Surge uma nova vida.


Um botão que se abre para o mundo
Levado pelo impulso da natureza
Gotas de orvalho descem,
escorrem por entre as pétalas.


Gotas que pingam como um suor
A desbravar um corpo ardente.
Uma rosa que viu o mundo e para ele se abriu.


Ah! a rosa tão viçosa que para o sol se insinua
Causando ciúmes até para a lua...
E o vento, traiçoeiro, sopra
A espalhar todo o seu cheiro...
E deixa em êxtase tudo que tem vida.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Aqui jaz o amor

No túmulo da vida estava escrito:
"Aqui jaz o amor"
Ele que habitava os corações de  muita gente
E que por outras não fora permitido entrar
Ele, que a tanta coisa suportou, fora vencido pelo orgulho, pela inveja e pelo egoísmo...


Agora descansa em paz nos braços da esperança...
Em tantos lares quis entrar, mas as portas foram fechadas.
Quantas degraças teriam sido evitadas?
Tantos males seriam ceifados desde o início
Tantas lá grimas deixariam de ser derramadas...


Mas o amor não suportou tanta miséria no coração humano
Despedui-se com tristeza
E hoje descansa em paz...

Eu vejo

Vejo coisas que ninguém vê
Teorizo sobre coisas ditas banais
Eu vejo o mundo pedindo socorro
Pois já não há mais tempo para brincar.

Eu vejo gente se esconder em uma casca oca
Porque a verdade desmascara e a hipocrisia se ofende
Eu vejo sorrisos sarcásticos, desdenhosos...

Será que cobriram todos os espelhos?
É mais fácil rir do outro, do que das próprias tolices e fraquezas.
O mundo é pequeno e tudo é tão efêmero.

Varrer o lixo pra debaixo do tapete tornou-se bem mais cômodo
Enganar a si mesmo torna-se urgente para quem teme a própria podridão...

Dane-se os hipócritas, os imbecís!
Verdade seja dita! E cada um que seu teto de vidro proteja!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ela

As portas se fecham...


Aqui dentro é escuro, frio e sombrio.


Eu não me vejo...


Finjo não sentir para não sentir.


Nesta gruta de escuridão


ELA grita


Pede socorro...


E ninguém ouve sua voz que se perde no infinito.


Ninguém a vê...


NINGUÉM...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Artificial

Odeio este mundo de automóveis e concreto
De artificialidade e superficialidade.


Queria o barro pra amassar
A terra pra pisar
Cachoeiras e rios para minha alma lavar.


Quero uma chuva fininha
Um ar puro
E nuvens de algodão-doce para nelas descansar...


Eu quero um sol bem calminho pra aquecer meu coração
Olhar os animais e com eles brincar.


Ah, eu queria mesmo era ser um gato
Para quando muito farto, dormir sobre uma almofada
E, de tanta preguiça, me esticar...
Correr atrás de um novelo,
Miar, pedir colo e ganhar um afago, um aconchego.

Vazio

Contente?!
Descontente?!


Ainda que eu tente encontrar um contentamento
Sei que descontente hei de ficar...


Vazio...


Tudo, ainda que cheio, será sempre vazio.


Estranheza... solidão...


Fico sozinha pra chorar.


Eu não durmo; fico em off.


Medo: do mundo, das pessoas e de mim mesma.


Sonhos: não os tenho...
Amo a aspereza da realidade.